Poemas Urbanos

Friday, June 30, 2006

Red Lady

No arrebol de sua presença

Na vermelhidão da aurora

No rutílio possível de nossa terra

(tão assentada em minas urbanas...)

digo:

o que existe no mediterrâneo distante

o mais importante no cinco e cinqüenta do dia

não é a folia de flores minutas

nem a modéstia de horas tingindo.

O corante de tudo é outro,

erva de outra família.

Neste tempo/rebento

- fruto de farta alizarina -

temos, então,

a mesma menina

garança de um sonho revolto.

Thursday, June 29, 2006

Asfalto

As horas
E os dias
E a propaganda
Se iluminam
No JK
Depois das seis


Nós
Do alto
(embaixo também muitos nos)
temos então
no asfalto
todo o espelho do revés

Monday, June 26, 2006

Duas Presilhas

Primeiro
A presilha que se fecha conformada

Depois
A armada da primeira armadilha

Qualquer gosto de vão livre
Limita tudo que ampara
O cabelo, o zelo, a dúvida, a cara
Em um eterno tive ou não tive

Segundo
A presilha que se abre indolente
Em solturas fáceis de quem não sente
Volta solta
Sem cumprir conexões

Louca para fugir dos cadeados do destino
Dos cacheados
e do desalinho
E das amarras das prisões.

Friday, June 23, 2006

Meu Primeiro Poema Fescenino

Vem da buceta aberta da Cláudia
Essa desesperada ação

Até que foi pensada
Sugerida
Mas sempre em um reprimido...

Sei não


Eu penso nas testas moças
Jovens pêlos brotando do sabão
Eu penso nas incipientes xoxotas
e nas prematuras picas de então…



Então…
Não se esqueçam dos cus dos meninos
Dos sinos dos sexos uterais
Das vulvas de líquidos incertos
E de outros possíveis sinais.



Desde sempre, em corpo formado,
Os cabelos protegem os genitais
E não há barbeiro que corte madeixas de vagina
Nem repique as franjas fálicas, colossais




De repente,
Um dente
que um resto de leite delata
Inaugura
Um pêlo novo vivencia
Quando a vulva imatura reage
A glande de um efebo arde em pétala intocada
E vadia



É fescenino
É menino e rapaz
O infantil no masculino se desfaz



De outro lado,
Ninfeta
Linha intocada de morros
metalínia de curvas
Leves vulvas
Sonhos tortos

Wednesday, June 21, 2006

A Guerra Contra os Carneiros

A guerra contra os carneiros


O caminhão do momento atropela carneiros
Açougues de vermelho e pânico
Queria sua voz
Num tranqüilo qualquer
De dia


O canhão do momento detona carneiros
Manchas no deserto
Luzes de video-game escondem o bordeaux


É guerra contra todo carneiro
Contra todo o viveiro restante da cidade morta
É guerra feia...
Queria sua voz
Num instante qualquer
De dia

Tuesday, June 20, 2006

O Barco Bêbado

O Barco Bêbado
Homenagem a Rimbaud


Um mergulho na solidão povoada por fantasmas do antigo continente, desenhos trazidos na quilha de um velho barco, ou simplesmente, um doce passeio por este rio chamado poésis.
Um graveto descendo mansamente o rio feito uma garrafa lançada ao mar, repleta de poemas.
Na margem, um Café Urrubu com seus outsiders, outros tantos bares, mares, poetas e margens.
Um poeta em especial: Arthur Rimbaud, em pé no balcão diante do livro que agora se abre confortavelmente nas mãos do expectador.
(...) e dentro, o poema Le Bateau Ivre.
O barco flutua, passa de uma anotação para outra, de um livro para outros, até retornar à parede onde, novamente, mergulha. Ébrio, pois como diz Baudelaire em Embriagai-vos
“É preciso que vos embriagueis sem tréguas. Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor. Contanto que vos embriagueis”.

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