Poemas Urbanos

Friday, July 21, 2006

Sete

A vida é um cemitério de desejos
Sete alemanhas circundam toda a vida do vôo
Sete desejos
Sete buracos na cabeça

A vida é um cemitério de desejos
Sete vezes perdi o trem
Sete coisas me atormentam
Sete contas na gaveta

A vida é um cemitério de desejos
Sete carros no passeio
Sete pratos diferentes
Sete ratos na represa
Sete dentes

A vida é um cemitério de desejos
Sete boys no trottoir
Sete feridas no corpo
Sete loucos na cantina
Sete sinas

Wednesday, July 12, 2006

Computador

Ele está com sede
de carne
Com vontade de água morna e fome

Ele está carente de documentários
Está com o olho anti-horário da revolução
E
de repente
Some pra dentro do quarto

Ele está com a mão na botija
A boca afastada de amendoins
Enquanto dentes desenham suas falas

Ele está bem
Sem retoques na alma
Sem pressa e sem ganas de ir embora

Ele está lá
E só

Adeus nº 2

Em paralelepípedos
Formais
Temo outros pesadelos
Não digo dos atropelos em vão
Não falo de vacilos ligeiros
Aponto coisa doída
Ferida aberta
Sem perspectiva de cicatriz
Aponto a morte
como saída
Aponto a despedida
Adeus!

Friday, July 07, 2006

Futebol

Nos meus desenhos de campo
Em minhas esquinas de estádio
Nas laterais do momento
E na alegoria do rádio
Vejo joelhos brotando
Em escolas toscas de bairro
Descubro quebradas de corpo
No grande escopo da estrada

O Grito

O grito
O som
O choro
O filho
parido
ali
e

É tudo
Um
filho
É tudo
um só filho
Tudo só