Poemas Urbanos

Wednesday, August 16, 2006

Felizes, os normais

felizes os normais
esses seres estranhos.
Que nunca tiveram uma mãe louca, um pai bêbado, um filho delinquente
uma casa em lugar nenhum, uma doença desconhecida
Felizes os que não foram tomados por um amor alucinante
Os que viveram os dezessete rostos da felicidade ou talvez um pouco mais

felizes os que vivem cheios de sapatos, os arcanjos de chapéus
os satisfeitos, os gordos, os lindos
os rintintins e seus donos
os que sempre ganham, os que são queridos mesmo armados

felizes os flautistas acompanhados por seus ratos
os vendedores e seus compradores
os cavalheiros ligeiramente sobrehumanos
os homens vestidos de trovão e as mulheres de relâmpago

felizes os delicados, os sensatos, os finos, os amáveis, os doces, os comíveis e os bebíveis
felizes as aves, o esterco, as pedras.

mas que estes dêem passagem aos que fazem os mundos e os sonhos
as ilusões, as sinfonias, as palavras que importam
e aos que destroem e constroem, os mais loucos que suas próprias mães, mais bêbados que seus pais e ainda mais delinquentes que seus filhos
E aos restos dos devorados pelos amores lancinantes

Que tenham lugar garantido no inferno.
E basta!
Retamar

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